Ao contrário do que aconteceu na América Espanhola, no Brasil não houve uma guerra de independência longa e sangrenta, mas apenas lutas em pontos isolados do país, onde algumas tropas portuguesas fizeram o que lhes parecia lógico: não aceitaram a independência proclamada por D. Pedro I.
Resitiram contra a independência as províncias do Pará, Maranhão, Piauí, Bahia e Cisplatina, embora apenas na Bahia tenham ocorrido combates importantes.
Como se o governo não dispusesse de tropas suficientes para enfrentar tais lutas, foram contratados batalhões de mercenários na Europa e também oficiais mercenários, principalmente ingleses e franceses, para a marinha e o exército.
A utilização de mercenários estrangeiros foi comum no Brasil, entre 1822 e 1850. Os soldados eram principalmente alemães, polacos e suíços, e os oficiais, principalmente na marinha, ingleses, destacando-se entre estes, Cochrane, Grenfell e Taylor. De modo geral, tais mercenários sentiam pelos brasileiros profundo desprezo, tratando-os de maneira bárbara.
Na Bahia, as tropas portuguesas do general Madeira de Melo resistiram durante 10 meses. Cercados por terra pelas tropas dos generais Lima e Silva e Labatut e por mar pela esquadra de Cochrane, os portugueses retiraram-se em julho de 1823. É curioso - e significativo - verificar que, apesar da presença de importantes elementos mercenários, o maior esforço na luta contra Madeira de Melo advinha dos batalhões de voluntários brasileiros, formados por gente humilde do sertão baiano, que foram dispersos logo que a guerra acabou.
No Maranhão e no Piauí, os portugueses foram derrotados sem dificuldades. O mesmo ocorreu no Pará, onde, aliás, verificou-se outro acontecimento significativo: quando os navios de Grenfell chegaram a Belém, grupos de patriotas, formados principalmente por populares, revoltaram-se e dominaram a cidade antes que os mercenários desembarquassem.
A recompensa que receberam por seu patriotismo foi "notável": Grenfell mandou colocar quase 300 pessoas no porão de um pequeno navio, despejou sobre elas algumas sacas de cal e fechou o porão. Praticamente todos morreram sufocados. Enquanto isso, nos elegantes salões do palácio imperial, no Rio de Janeiro, D. Pedro compunha o Hino da Independência: “... Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil...”. Finalmente na Cisplatina, o general português Frederico Lecor, que apoiava a independência, derrotou as tropas de Álvaro da Costa, fiéis a Portugal. Estava assim encerrada a guerra de independência.
Texto de José Carlos Pires de Moura.

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