As Reformas Religiosas
Dentre os episódios ocorridos ao final da Idade Média e inicio da Idade Moderna está a Reforma Religiosa ou as “Reformas Protestantes”. Indignados com a situação que a Igreja Católica se encontrava, muitos religiosos propõem mudanças na conduta dos clérigos, ocasionando a fragmentação da Igreja e o surgimento de novas religiões cristãs. A conduta da Igreja era digna de reprovação, pois havia:
• A má formação espiritual dos padres;
• A venda de cargos eclesiásticos;
• A venda de perdão ou de objetos ditos sagrados.
Todos estes comportamentos eram alvos das criticas à Igreja. Denunciando estas práticas, Martinho Lutero afixa 95 denúncias nas portas das Igrejas na Alemanha, em um documento conhecido como “As 95 teses”. Lá, denunciava estas e outras condutas, mas também defendia:
• A salvação pela fé;
• A validade do batismo e da eucaristia;
• Missa rezada em língua comum;
• A invalidade dos cultos à imagem e aos santos;
• A bíblia como fonte de conhecimento;
A igreja Luterana
Com esta atitude, Martinho Lutero foi expulso da Igreja (excomungado). Desta maneira, ela funda uma nova religião cristã: a Igreja Luterana que, apoiada por príncipes alemães, logo se expandiu naquela região.
A Igreja Calvinista
João Calvino era um monge francês descontente com os rumos que a igreja tomava. O esbanjo, a luxúria, o descolamento dos padres das questões espirituais eram alvos de suas críticas. Calvino, assim, após uma série de tentativas reformadoras e uma gama de textos produzidos sobre o assunto funda uma nova Igreja, a Igreja Calvinista, que defende a idéia de uma vida simples, frugal, econômica e regrada. Para Calvino a salvação viria também pela fé, mas havia a idéia de predestinação, ou seja, a idéia de que Deus escolheria os que se salvariam, dando sinais a estes escolhidos. A riqueza, ou o enriquecimento era um deles. Desta maneira, valorizando o trabalho e incorporando valores típicos ao modo de vida da burguesia, a religião calvinista se desenvolveu nos países onde havia um comércio forte.
A Igreja Anglicana
Henrique VIII buscava um herdeiro homem que Catarina de Aragão, sua esposa, não conseguia lhe dar. Sob o temor de depois da sua morte, o trono inglês não ter nenhum herdeiro homem, o rei pede o divórcio. Contudo, o divórcio naquela época era proibido e esta foi a posição da Igreja. Henrique VIII, irredutível, resolve se separar, sendo excomungado da Igreja. O rei assina, portanto, o ato de supremacia e funda a Igreja Anglicana. Os bens, as terras e as riquezas da Igreja católica na Inglaterra passam para as mãos do Rei.
A Contra - reforma
Buscando minimizar os prejuízos causados pela reforma protestante, a Igreja Católica organizou uma resposta objetivando reafirmar alguns DOGMAS* e reformar outros aspectos. Dentre as medidas mais importantes destacam-se:
• A afirmação do latim com língua oficial;
• O reforço à hierarquia da Igreja e ao poder espiritual do Papa;
• A salvação pela fé e pelas obras;
• A bíblia como fonte do conhecimento;
• O culto aos santos;
• A reativação do tribunal ao santo oficio (Santa inquisição );
• A elaboração do INDEX: um catálogo de livros proibidos aos católicos. Dentre eles todos aqueles que defendiam o protestantismo;
• A criação da companhia de Jesus (os jesuítas): irmandade criada com o objetivo de expandir a fé católica para além da Europa. Terão ação destacada na catequização dos índios na América e levarão o catolicismo ao extremo do mundo conhecido pelos europeus.
Desta maneira a Igreja Católica compensava sua perda de fiéis na Europa com a conquista de vastos territórios, principalmente nas áreas da expansão marítima governada por Espanha e Portugal, conhecidos como reinos católicos. Desta maneira, mais do que falar em um enfraquecimento da Igreja Católica através das reformas, o que podemos concluir é que as reformas protestantes significaram uma expressiva expansão do mundo cristão.

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