Em mais uma oportunidade de promover uma mudança no quadro político-social do Brasil, o povo brasileiro mostrou sua verdadeira face, a de uma massa ignorante. Amiúde ouvimos reclamações contra os governantes de nosso país com a exposição de opiniões massificadas sem base concreta nem conhecimento de causa. A simplista frase ouvida ano após ano "são todos ladrões e vagabundos" deveria ser composta de mais um trecho “... E somos todos idiotas e ignorantes". De um lado, nós tivemos na última eleição, um povo sofrido, abandonado, manobrado e utilizado em favor dos interesses da classe dominante; do outro, candidatos sem escrúpulos, sem compromisso com a moral, com o bem-estar da população, que defendem única e exclusivamente (na maioria dos casos) seus interesses individuais. Candidatos cassados por práticas ilícitas, impedidos de deixar o país como o ilustríssimo Srº Paulo Maluf (membro permanente da lista vermelha de procurados pela Interpol), candidatos como o comediante Tiririca que mais uma vez conseguiu utilizar a ignorância do povo em seu favor e que contou para isso, com o apoio de mais de um milhão e trezentos mil "eleitores". Eleitores senhoras e senhores, que acreditam que a política não faz parte de suas vidas, que as decisões tomadas no plenário não os atinge de forma concreta, que aceitam suas dificuldades cotidianas sem se importar com as fraudes cometidas que ferem os direitos inalienáveis do homem, como o direito a uma educação "pública" de qualidade, de um sistema "público" de saúde em que um médico não nos submeta a tratamentos sem ao menos fazer um único exame que comprove suas suspeitas. Eleitores que se julgam donos do saber e seguem cegamente as opiniões expostas pela mídia, que defendem uma idéia por mais absurda que seja, pelo simples fato de terem ouvido algo de alguém, que ouviu algo de outro alguém, que ouviu algo de outro alguém. Haverá um dia em que a população brasileira se livrará dos hábitos maléficos de seu cotidiano e passará a compreender que enquanto sujeitos históricos, temos o poder e a obrigação de nos posicionarmos em favor de nós mesmos? Que temos o poder e a obrigação de juntos elevarmos nossos valores e pleitearmos nossos direitos? Haverá um dia em que o povo acometido de um surto de consciência política reivindicará a decência em nossa administração pública? Haverá um dia em que não mais nos permitiremos o furto de nossa inteligência? Temo que a resposta para todas essas indagações seja não. E enquanto o povo não se livrar do desejo voluntário e espontâneo de ser e de continuar sendo ignorante, de banalizar os valores morais, de promover apologia ao que é marginal, de defender práticas que ferem os direitos individuais e coletivos, continuaremos a ser ignorados, humilhados e explorados diariamente. E enquanto não entendermos que o voto é nossa mais poderosa arma, continuarei pensando com o direito que me é dado pelo própio povo brasileiro, que nossa população sofre muito pouco e, que deveria sofrer muito mais, por tudo o que ela permite que seja feito contra ela.
Por James Dean

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